terça-feira, 24 de julho de 2018

DIA DE SER MÃE CUIDADORA (POESIA)

Como é bom ter amigos que alimentam o corpo e a alma
Como é bom ter amigos que são casos crônicos de poesia 
Como é bom ter amigos

Hoje acordei mais uma vez na UTI Pediátrica, a cuidar do meu pequeno que já está em seu 46º dia de internação hospitalar. Lá fora o dia amanhece cinzento, chuvoso e frio, aqui dentro a rotina se mantém, mas sempre com música, poesia e histórias, entre medicamentos, exames, cuidados e fisioterapia. Ao entrar breves instantes na internet, encontrei essa linda poesia da minha querida irmã de sonhos crianceiros, Beatriz Myrrha. Ganhei o dia, sigo agradecida!!

Dia de ser mãe cuidadora
Contadeira de histórias
Dia de ser jardineira
Cigarra cantadeira
De versos longe
Dia de se lembrar

Dia de ser alegria corajosa
Rebelde com o mau tempo
Dia de carregar alento, força
Fé e poesia

sábado, 21 de julho de 2018

QUANDO O MISTÉRIO É IMPRESSIONANTE DEMAIS A GENTE CONTA HISTÓRIAS (DIAS DE TEMPESTADE)

Lá se vão seis semanas que o Arthur, meu filho mais novo, entrou no hospital para acalmar o tsunami que havia se transformado suas ondas cerebrais. Seis semanas de hospitalização, cinco delas de internação na UTI Pediátrica. Os amigos andam a perguntar como vai o Arthur. Eu poderia responder: Saturando 97%; FC: 134; PA: 96 x 65; FIO2: 45. Alguns amigos ficariam tranquilos com minhas respostas, outros bem perdidos. Mas, penso eu, que quase ninguém ficaria verdadeiramente satisfeito com uma resposta tão numérica. É que temos a felicidade de ter amigos de coração crianceiro. As pessoas grandes é que gostam de números. Por esta razão é que nós, que temos coração crianceiro, precisamos ter muita paciência com as pessoas grandes. A melhor resposta para essa pergunta talvez seja: Tutuks está ouvindo a mamãe narrar, mais uma vez, O Pequeno Príncipe. Foi o Tuks que pediu para ouvir novamente a "Um pé de vento" (livro lindo, do queridíssimo e multitalentoso, André Neves) e "O Pequeno Príncipe". Como eu sabia que eram essas as histórias necessárias e desejadas? “Quando o mistério é impressionante demais, a gente não ousa desobedecer", diz Antoine de Saint-Exupéry. Estamos bem, porque estamos juntos, partilhando histórias. 


*Essa que sou, mãe, professora, fisioterapeuta, contadora de histórias, escritora, dançante (não exatamente nessa ordem), estou com meu filho mais novo, Arthur, hospitalizado. Esse é o relato desses dias de tempestade, que escolho fazer da forma mais amorosa e serena que puder.
  

quinta-feira, 19 de julho de 2018

ERA UMA VEZ NA UTI


Quando o Arthur, meu filho mais novo, nasceu, o primeiro lugar para onde foi levado, foi a UTI Neo Pediátrica do Hospital Santa Cruz. Foi lá que começamos a nos conhecer. E foi lá que fomos descobrindo juntos que a vida não seria exatamente como tínhamos planejado, que teríamos que replanejar, ou melhor, aprender a não planejar. Aprendemos também que nossa rotina seria meio fora da rotina.
Nestes 8 anos de vida do Tutuks, voltamos várias vezes para a UTI e outras tantas para a enfermaria, a fim de tentar minimizar suas tempestades cerebrais. Junto com o Tuks, conheci muita gente bacana, médicos, equipe de enfermagem, nutricionistas, equipe da copa, do lactário e da higienização.
Conhecemos também muitas mães, especialmente mães de bebês pequenininhos e frágeis, bebês que tiveram pressa para nascer. A gente vive uma rotina diferente da nossa quando estamos no hospital, mas como moramos na mesma cidade, temos pai, irmão, babá, amigos, família, um montão de gente perto pra ajudar a resolver a vida. Mas muitas mães de bebês apressados vêm de longe, não tem ninguém pra partilhar as angústias, o cansaço, a rotina. Aprendi - aprendemos eu e o Tutuks - ao longo desses anos, que quando cabeça de mãe fica cansada, muitos pensamentos que não são legais passam por lá. Por isso leio histórias, leio muitas histórias e ouço muitas canções, para que estejamos eu e o Arthur (assim como foi, como é, com o João – meu filho mais velho) conectados amorosamente.
Num desses dias de internação, que já são muitos, quase seis semanas, fui contar histórias para as crianças da Ala Pediátrica e a equipe da UTI me pediu para contar para elas também. Contei para equipe de enfermagem e para as mães. Depois conversamos um pouco e falei de como é importante para mim contar histórias para meus filhos, de como sinto que as histórias me colocam numa conexão bacana com eles.  Sugeri que elas poderiam fazer o mesmo. Histórias que embalam, como o colo que gostariam, mas ainda não podem dar a seus pequenos. Mas como sugerir que contem histórias sem livros?
Foi então que nasceu a ideia de criar uma pequena biblioteca, onde livros infantis e contos pudessem estar à disposição das mães, dentro do espaço que dá acesso à UTI e à UCI do Hospital Santa Cruz, para que possam ler para seus pequenos. A ideia brotou com uma certa urgência, porque as mães estavam ali agora. Conversei, troquei ideia, articulei e nasceu o Espaço Era Uma Vez, com todos os cuidados tomados para a higienização dos livros. Agora, pais e mães podem contar histórias para seus pequenos e estarem mais próximos, mais conectados física e amorosamente, criando memórias afetivas desde muito, muito cedo.

domingo, 15 de julho de 2018

PARA GOSTAR DE LER (DOCUMENTÁRIO)

Para Gostar de Ler é um documentário delicioso que fala sobre a importância da leitura na primeira infância, um filme sobre ler histórias e transformar vidas através das histórias. Um filme para ver e rever!!

ICEBERG (DIAS DE TEMPESTADE)


Meu filho segue hospitalizado, ainda na UTI. Estávamos a um passo da enfermaria, três dias com pouquíssimas crises convulsivas, mas no meio do tsunami surgiu um iceberg. O que víamos era a pontinha dele apenas. As crises convulsivas se tornaram intensas novamente e com elas a necessidade de voltar a fazer uso de medicação contínua. Paciência, muita paciência para administrar tantos sentimentos, sensações e pensamentos. 



*Essa que sou, mãe, professora, fisioterapeuta, contadora de histórias, escritora, dançante (não exatamente nessa ordem), estou com meu filho mais novo, Arthur, hospitalizado. Esse é o relato desses dias de tempestade, que escolho fazer da forma mais amorosa e serena que puder.