Há momentos que a gente quer dizer muito, mas
só faz transbordar. Venho aprendendo a permitir e respeitar meus
transbordamentos e aos pouquinhos vou elaborando, querendo escrever de novo,
para dar continuidade a essa história que decidiu trilhar novos caminhos. Que
bom que nosso amigo Pequeno Príncipe nos ensinou sobre os mistérios da vida,
sobre o que realmente é importante e que ao contemplar uma ou todas as estrelas
podemos encontrar lembranças que nos ajudam a preencher os buraquinhos da
saudade.
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quinta-feira, 13 de setembro de 2018
quarta-feira, 15 de agosto de 2018
CRIANDO NARRATIVAS QUE FAÇAM SENTIDO
Alguns talvez pensem que perdi a razão,
por tecer narrativas ficcionais para acomodar os sentimentos da partida do
filho. Mas loucos, em sua maioria, criam narrativas desconexas. Eu busco
conexão através das narrativas, teço algumas, crio outras.
Somos seres narrativos,
buscamos sempre explicações que nos façam sentido e que deem sentido às nossas
vidas, seja no campo da mitologia ou da ciência. Precisamos de algo que faça
sentido, sempre. Mesmo que esse sentido só seja razoável para nós mesmos.
Quando as circunstâncias da
vida podem abalar o sentido da própria vida, os pensamentos ficam a girar
dentro da cabeça como num furacão. Particularmente, preciso de narrativas que
aquietem o meu furacão interno e me deem sentido, me apontem um norte.
Quando digo que meu filho partiu
para se aventurar em Nárnia, em Avalon, ou no País das Maravilhas, não estou
sendo louca, nem delirando, nem perdendo a razão. Estou sim, buscando uma razão
que permita deixa-lo partir com alegria. Seria diferente se eu falasse no
paraíso? Para mim ainda seria uma construção narrativa em busca de algum
sentido.
Pois bem, busco narrativas
que façam sentido, que me apontem nortes razoáveis. Você até pode pensar: - Mas
isso é ficção! Pois saiba que o cérebro humano em algumas situações tem uma dificuldade
enorme para diferenciar ficção e realidade.
Quem já experimentou um
episódio agudo de labirintite sabe do que estou falando. Num episódio de
vertigem, o cérebro não sabe se as coisas estão a girar de verdade ou de
vertigem. O cérebro informa ao corpo que tudo gira e o corpo responde com
náuseas, alteração dos sinais vitais, suor, mal-estar. O corpo apenas responde
às informações, ainda que ficcionais.
Então,
pensar em narrativas que façam sentido, ainda que ficcionais, aquieta o pensar,
acalenta a alma, acalma o corpo, permite o viver de um modo mais razoável e
feliz.
Marcadores:
DIAS DE TEMPESTADE; NARRATIVAS,
MATERNIDADE
domingo, 15 de julho de 2018
ICEBERG (DIAS DE TEMPESTADE)
Meu filho segue hospitalizado, ainda na UTI. Estávamos
a um passo da enfermaria, três dias com pouquíssimas crises convulsivas, mas no meio do
tsunami surgiu um iceberg. O que víamos era a pontinha dele apenas. As crises
convulsivas se tornaram intensas novamente e com elas a necessidade de voltar a
fazer uso de medicação contínua. Paciência, muita paciência para administrar
tantos sentimentos, sensações e pensamentos.
*Essa
que sou, mãe, professora, fisioterapeuta, contadora de histórias, escritora,
dançante (não exatamente nessa ordem), estou com meu filho mais novo, Arthur, hospitalizado. Esse é o relato desses dias de
tempestade, que escolho fazer da forma mais amorosa e serena que puder.
sábado, 7 de julho de 2018
TEMPO DE URGÊNCIAS (DIAS DE TEMPESTADE)
Hoje
fechamos quatro semanas de internação hospitalar com nosso pequeno Arthur. Um
dos maiores desafios é viver uma rotina fora daquela que construí para mim ao
longo de anos. Eu gosto da rotina, gosto desse todo que administro em mim, essa
rotina que não é rotina e que se reveza entre cuidados com a família, com a
casa, a sala de aula, o tatame, as narrações de histórias, a escrita acadêmica
e a escrita literária, a vida cultural, os amigos. Gosto do samba que dá esse
mosaico!! Mas agora é tempo outro, tempo de aquietar, de ajustar o foco ao que
é verdadeiramente necessário e urgente. Em outros tempos essa possibilidade me
tirava o prumo, hoje consigo viver o aqui e agora com mais tranquilidade, com
expectativas de curto prazo e alegrar-me com toda e qualquer conquista. A vida
ensina sempre estamos dispostos a ser aprendizes e eu sou uma eterna aprendiz.
*Essa
que sou, mãe, professora, fisioterapeuta, contadora de histórias, escritora,
dançante (não exatamente nessa ordem), estou com meu filho mais novo, Arthur, hospitalizado. Esse é o relato desses dias de
tempestade, que escolho fazer da forma mais amorosa e serena que puder.
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