sábado, 16 de fevereiro de 2019

OFÍCIO (MEU POEMA DE SÁBADO)

Para iniciar o Projeto Leitura de Poesias aos Sábados, trago “Ofício”, poema do amigo escritor Mauro Klafke, publicado em seu livro "Jacarandás de Novembro" (Ed. Gazeta, 2013). A ideia é partilhar a cada sábado a leitura de um poema de poetas que admiro, muitos deles amigos queridos, que me encantam com suas palavras sensíveis, divertidas, emocionantes.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

O LITERÁRIO E O LITERAL (CRÔNICA DA SEMANA)

 
O Brasil ainda é um país de poucos leitores. Muitas pessoas podem até pensar que isso é irrelevante, perto de tantos problemas que temos nos campos da saúde, da economia, da segurança, da educação. Mas isso não é verdade. A capacidade de ler e interpretar um texto é a porta de entrada para ler e interpretar a vida, o mundo, os acontecimentos que nos cercam.
Saber ler, ouvir e interpretar um texto literário, desde criança, é fundamental para que, quando maiores saibamos diferenciar o literário do literal, para que saibamos que todo texto (escrito, falado, ilustrado) tem um contexto. A leitura compartilhada, a conversa sobre o texto, a história, o poema, a canção, nos permite compreender que cada leitura é sempre uma releitura. Que aquilo que está escrito, que foi dito, desenhado, não faz o mesmo sentido para todos os leitores. Cada pessoa lê a partir da sua trajetória, de seus princípios, de suas crenças, de sua experiência leitora.
A leitura literária abre as portas para múltiplas interpretações de universos fantásticos, imaginários e inventados, mas também do mundo real. Quanto mais lemos textos literários, quanto mais nos aproximamos deles, mais nos qualificamos para compreender o mundo à nossa volta e mais facilmente saberemos distinguir fantasia de realidade. Quanto mais lemos textos literários, menos nos deixamos enganar ingenuamente por discursos fantasiosos tratados como verdades.

Faz um bom tempo que no Brasil os livros de literatura infantil vêm sendo duramente criticados e até mesmo censurados, por falta de leitura e compreensão do texto literário e também por se fazer leitura literal de um texto repleto de imaginação. Harry Potter e o universo fantástico de Hogwarts, por exemplo, falam sobre os conflitos da adolescência, sobre amizade, sobre a eterna luta entre bem e o mau, sobre empatia, medos, crescimento, desafios. Pensar que os livros de J.K. Rowling são obras satanistas, que sua intenção era ensinar bruxaria para os adolescentes, é ser incapaz pensar metaforicamente, de transpor pontes construidas com a imaginação, é se fechar ao diálogo, à troca de experiências leitoras, a outros modos de ver e pensar o mundo fora da sua caixinha.

Essa incapacidade tem nos levado a negar não só a imaginação, como a própria ciência. Ler tudo que é escrito de modo literal, fundamentado apenas por dogmas - que, por serem dogmas, jamais permitirão questionamentos, apenas servidão - é lançar a todos numa vala funda de pensamento raso.   

Ler de forma literal o texto literário, que tantas vezes se utiliza de metáforas, poesia e ludicidade, para fazer pensar de forma mais divertida – especialmente nos textos de literatura infantil – temas fundamentais para os seres humanos, é um erro. Ler um texto escrito para a infância e compreender sua poesia, no entanto, não é tarefa simples. Ler em língua de brincar é tarefa complexa, a qual apenas crianças, poetas brincantes e adultos que não deixaram morrer seu devir-criança, são capazes de compreender.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

SOBRE ATIVISMO, ANTROPOFAGIA E MATRIARCADO

Pesquisando para o encontro desta semana do Grupo de Estudos “Ativismo Delicado: casa, infâncias, mulheres em risco”, do qual participo, cheguei a uma reportagem, que me levou a um texto, que me levou a um vídeo, que me levou a outros vídeos, que me levaram a outros textos sobre o Movimento Antropofágico. E como conhecimento só tem sentido se a gente compartilha, partilho aqui algumas das minhas descobertas, para que eu possa voltar a elas e também para quem desejar andar pelas estradas por onde andei hoje. 
David Wilkerson Silva Almeida, em seu belíssimo artigo A utopia antropofágica e o pensamento brasileiro: o matriarcado como condição humana original e libertadora escreveu que “o Movimento Antropofágico da primeira metade do século XX representou uma ruptura fundamental no modo de produção artística brasileira, porém sua relevância estendeu-se para além da arte e colaborou, na figura de Oswald de Andrade, com o reposicionamento do fazer filosófico nacional. Inspirado no modo de vida local, [o movimento] mescla da contribuição indígena, africana e europeia”.
Depois de ler o artigo, encontrei “De Lá pra Cá”, um documentário riquíssimo sobre Oswald de Andrade, produzido pela TV Brasil. Segundo o documentário a antropofagia era uma prática de canibalização, de caráter ritual, realizada por alguns povos indígenas. Um canibal, no entanto, nunca come outro ser humano por nutrição, mas sim para incluir em si as qualidades do outro, daquele que devorou, o que nos faz melhor compreender a escolha para o nome do movimento.
Por fim, bebi na fonte, buscando o Manifesto Antropófago, de Oswald de Andrade. Depois de tantos achados, achei por bem compartilhá-los. Cá estão, para serem devorados!!  


domingo, 10 de fevereiro de 2019

ERA UMA VEZ E O DOMÍNIO DO IMAGINÁRIO

Que tempo verbal é esse do "era uma vez"? Essa possibilidade, que não faz sentido algum na gramática ou nas conversas cotidianas, faz sentido, ganha sentido, quando no domínio do imaginário, diz Regina Machado.
(MACHADO, Regina. Acordais: Fundamentos teórico-poéticos da arte de contar histórias. São Paulo: Difusão Cultural do Livro, 2004)