terça-feira, 30 de maio de 2017

CONHECENDO O ACERVO ELIS REGINA

Na sexta-feira (26/05/2017) visitei pela segunda vez o Acervo Elis Regina, na Casa de Cultura Mário Quintana, em Porto Alegre (RS). Foi lá no Acervo Elis Regina que, entre tantas memórias interessantes eu encontrei uma cópia do documento emitido pelo Gabinete do Ministro do Exército, em 10/12/1971. O documento é o registro de uma investigação feita sobre a artista em decorrência de uma entrevista concedida pela cantora a uma Revista Holandesa. O exército da época fez então uma pesquisa sobre a trajetória de Elis Regina dos anos que antecederam a investigação até aquele momento. Assim sendo, segundo o documento, "Procedidos levantamentos necessários constatou-se":
* Que a cantora esteve na Holanda no início de 1969, ocasião em que concedeu entrevista coletiva à imprensa, num ambiente formal e seguindo as normas de relacionamento.
* Viajou para a Itália e Inglaterra no princípio de 1971, não tendo feito declarações à imprensa.
* No Brasil jamais concedeu entrevista a qualquer órgão de imprensa estrangeiro.
* "Nos anos de 1966 e 1967 atuou ao lado de alguns cantores de esquerda, considerados subversivos após as agitações de 1968, destacando-se entre eles, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Geraldo Vandré e Edu Lobo. Fazia parte do grupo Paulo Machado de Carvalho, da TV Record, Canal 7 de São Paulo e da Rádio Jovem Pan. Na época, anos de 1966 e 19667, esse grupo foi considerado de orientação filo-comunista".
* "É muito afeita a gravar músicas de protesto, inclusive ligadas ao movimento do 'poder negro' norte - americano, apesar de não demonstrar ligação com o mesmo".
* "Em 22/11/1971 foi convidada a prestar esclarecimento no Centro de Relações Públicas do Exército, por solicitação do CIE, quando caracterizou sua posição de artista isolada e desligada de qualquer vínculo político ideológico, tendo inclusive negado terminantemente ter recebido, durante entrevista concedida na Holanda, qualquer pergunta sobre Cuba ou outro assunto político e mesmo relacionado com o Brasil e o seu povo".
O documento fala ainda sobre os contratos que Elis Regina tinha com rede de TV e gravadora, sobre a frágil saúde de Ronaldo Bôscoli, seu marido na época, bem como dos conflitos familiares. Uma aula sobre o tempo de ditadura militar.  
O Acervo Elis Regina é um lugar que, por si só, merece ser visitado. Mas a visita fica ainda mais bacana quando, antes ou depois, atravessamos o corredor para visitar o quarto do nosso querido poeta Mário Quintana. O segundo andar da Casa de Cultura Mário Quintana é  mesmo um lugar repleto  de arte e histórias.
Depois da visita ao Acervo e ao quarto do Quintana, naquela sexta-feira chuvosa foi que pensei em fazer a brincadeira na minha página no facebook. O desafio era descobrir, a partir de três pistas que eu postei ao longo do final de semana, quem era o(a) artista brasileiro(a) do(a) qual as pistas falavam. Depois era preciso descobrir onde foi que eu consegui as pistas. Quem chegou mais perto da resposta correta foi a Tânia Márcia Tomaszewski, que respondeu que as pistas que postei eram do documento do Centro de Informações do Exército, mas como outras pessoas a Tânia Márcia, também achou que eu as tivesse tirado da Biografia da cantora, revelo que foi apenas um belo passeio num dia muito chuvoso. Mas a Tânia foi a vencedora e vai receber o prêmio!!

domingo, 28 de maio de 2017

PRIMEIRO DESAFIO LELALUDENS PARA QUEM GOSTA DE HISTÓRIA E MÚSICA

Neste final de semana propus uma pequena brincadeira para quem gosta de história e música, na minha página do facebook. O desafio era descobrir, a partir de três pistas que eu postei ao longo do final de semana, quem era o(a) artista brasileiro(a) do(a) qual as pistas falavam. As pistas foram as seguintes:
PISTA 1: "É muito afeito/a a gravar músicas de protesto, inclusive ligadas ao movimento do 'poder negro' norte - americano, apesar de não demonstrar ligação com o mesmo". 
PISTA 2: Esse(a) artista, "nos anos de 1966 e 1967 atuou ao lado de alguns cantores de esquerda, considerados subversivos após as agitações de 1968, destacando-se entre eles, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Geraldo Vandré e Edu Lobo. Fazia parte do grupo Paulo Machado de Carvalho, da TV Record, Canal 7 de São Paulo e da Rádio Jovem Pan. Na época, anos de 1966 e 19667, esse grupo foi considerado de orientação filo-comunista".
PISTA 3: "Em 22/11/1971 foi convidado(a) a prestar esclarecimento no Centro de Relações Públicas do Exército, por solicitação do CIE, quando caracterizou sua posição de artista isolado(a) e desligado(a) de qualquer vínculo político ideológico, tendo inclusive negado terminantemente ter recebido, durante entrevista concedida na Holanda, qualquer pergunta sobre Cuba ou outro assunto político e mesmo relacionado com o Brasil e o seu povo".
Acertou quem respondeu que a artista era ELIS REGINA!!
Agora O FINAL DO DESAFIO:
A primeira pessoa que responder aqui no blog como foi ou onde foi que eu consegui essas pistas, vai receber um presente em casa!!

quarta-feira, 24 de maio de 2017

O TIÃO EM BOAS MÃOS

Que honra ver meu filhote "Tião" sendo levado para passear pelas mãos da minha querida amiga Tânia Márcia Tomaszewski. Tânia é uma professora incrível, apaixonada pela leitura e pelas histórias, admiro demais o trabalho dela! Ver o "Não grita, Tião!!" entre tantos livros incríveis, nesse momento em que minha amiga compartilha suas experiências sobre Literatura Infantil e Contação de Histórias com professoras de Canoas é de uma alegria gigantona!!! Gratidão, querida!!

terça-feira, 23 de maio de 2017

ENCONTRO DE FADAS E ELFOS DANÇANTES NA UNISC

Hoje eu tive o prazer e o privilégio de focalizar Danças Circulares Sagradas na Universidade onde leciono. Foi uma experiência ímpar, cheia de cuidado de si e do outro. O grupo era grande, acadêmicos e docentes de diferentes áreas de atuação, todos muito curiosos para saber do que se tratava a tal "meditação ativa". Foi lindo ver os participantes com a mesma curiosidade e desejo de estar com o outro, do início ao fim da tarde .
Levar as Danças Circulares Sagradas para um encontro acadêmico é um bom desafio. E depois de concluir o trabalho ouvir o silêncio que aponta o desejo de cada um de apenas compreender o que aconteceu é muito gratificante. Os abraços e sorrisos de agradecimento fazem realmente a tarde ter valido a pena. Mas uma recompensa ainda maior veio à noite, ao ouvir com os olhos a mensagem que dizia que "poucas vezes, nesse meio acadêmico, temos espaço para voltar o olhar para nós mesmos e para o outro da forma afetuosa como fizemos hoje. Obrigada por nos mostrar esse caminho!!".
Esta tem sido uma semana que me aponta muitos sinais, especialmente de que no caminho do auto conhecimento, em meio a tropeços, tenho feito muitos acertos. Acredito, de verdade, que precisamos ser tão humanamente suficientes quanto tecnicamente eficientes. E por acreditar nisso, fiz escolhas - que me parecem acertadas até este momento. Continuarei percorrendo muitos caminhos, por que eles não são distintos e sim constitutivos de quem sou. A tarde de hoje só foi possível porque sou uma fisioterapeuta que também é professora, contadora de histórias, focalizadora de danças circulares e dançante.
A provocação de Oriah Mountain Dreamer ainda mexe comigo, mas hoje à acolho com mais tranquilidade e um pouquinho mais de sabedoria. Diz ela: "E se a questão não for por que é tão raro eu ser a pessoa que realmente quero ser, e, sim, porque é tão raro eu querer ser a pessoa que realmente sou?".
A tarde de hoje me trouxe muitas alegrias e o conforto de acolher um pouco mais essa raridade que é ser a pessoa que realmente sou. Gratitude a cada fada e cada elfo que participou desse grande círculo de amor!!
Um agradecimento especial às fadas Julia Cardozo e Diana Geiger que tanto me ajudaram na jornada e também dançaram comigo!!
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

sexta-feira, 19 de maio de 2017

NOSSAS RELAÇÕES EM RISCO DE EXTINÇÃO


Pedro Altério é um talentoso músico paulista e um homem sábio, apesar de ainda jovem. Na semana passada, em meio aquele caos de opiniões cheias de razão,  que invadiram as redes sociais, sobre o depoimento do ex presidente Lula ao juiz Sergio Moro, Pedro Altério ponderou: “As distorções estão tão evidentes que, um lado comemorou a atuação de Lula durante o depoimento, o outro lado comemorou dizendo que Moro colocou Lula em "seu lugar". Resumindo, "esquerda" e "direita" ficaram felizes com o depoimento, por razões opostas. Não é possível ambos os lados estarem certos. Como pode o depoimento causar reações tão contrárias e adversas? As pessoas acreditam apenas no que querem acreditar! No fim, a verdade não passa de uma escolha”. No fim, a "verdade" não passa de uma "escolha"
Concordo plenamente com Pedro Altério, pois é mesmo impossível que todos tenham razão. Aquelas pessoas nas redes sociais, porém, tão cheias de suas razões, tinham certeza absoluta das suas verdades, das verdades que escolheram para si, independente dos motivos.
O fato é que nas redes sociais todos assumem papel de juízes do mundo, todos tem opinião sobre tudo. Vejo que quando compartilho algum conteúdo com mais de um ou dois parágrafos, muitas pessoas não leem, mas se acham no direito de opinar, a partir das suas verdades. E se o título sugerir algo diferente do seu modo de pensar, muitas já aproveitam para opinar, ou destilar seu veneno, no comentário abaixo da postagem.
Se continuarmos por este caminho nossas relações sociais vão desaparecer. Segundo o neurobiólogo chileno Humberto Maturana, “só são sociais as relações que se fundam na aceitação do outro [...] e que tal aceitação é o que constitui uma conduta de respeito”. Para este estudioso, nem todas as relações humanas são sociais, pois para ele só são sociais as relações humanas que se fundam no amor.
O amor de que fala Maturana, no entanto, não é aquele dos filmes e novelas, ou aquele cantado nas canções românticas, o amor é sim a emoção que se constitui nas nossas condutas cotidianas, quando somos capazes de aceitar o outro e nos relacionar com ele assim como ele é, diferente de mim e cheio de possibilidades.
Talvez tenhamos que (re)aprender a olhar, escutar e perceber o outro, sem julgamentos e com “freio de mão puxado”, para que não atropelemos ninguém.   Como seria bom se fôssemos capazes de ter, dia a dia, um pouco mais de paciência e que cantássemos, como um mantra, a linda canção de Lenine, que diz: “enquanto o tempo acelera e pede pressa/ eu me recuso, faço hora, vou na valsa/ a vida é tão rara”. E que no embalo da canção fôssemos capazes de celebrar a vida, a minha, a sua, a de todos nós, porque “mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma/ até quando o corpo pede um pouco mais de alma/ a vida não para”. fim, a "verdade" não passa de uma "escolha"
No fim, a "verdade" não passa de uma "escolha"

quarta-feira, 10 de maio de 2017

SABENDO MAIS SOBRE CIÊNCIA

Ouvir minha amiga Clara Costa Oliveira falar é sempre uma grande alegria. Nestes muitos anos que a Clara vem ao Brasil eu acompanho seu trabalho, que me faz pensar e repensar a vida. Hoje mais uma vez tive o privilégio de ouvi-la numa belíssima aula sobre "Epistemologia da complexidade e investigação", uma fala que deveria ser ouvida por todos que se dedicam à pesquisa científica, independente da perspectiva que escolha seguir.
Clara é minha amiga e para mim sua amizade é o mais importante, muito além do seu extenso Lattes. Mas para quem ainda não à conhece, seu percurso é longo e lindo. Para ser bem sucinta, Clara Costa Oliveira é Licenciada em Filosofia e Mestre em Epistemologia pela UCP. Doutora em Filosofia da Educação e Professora Associada em Pedagogia pela UMINHO (Portugal), tem inúmeras publicações em Portugal e no exterior. É pesquisadora em centros e grupos de Pesquisa no Brasil e Portugal. Maior orgulho dessa "portuguesa da gema"!!