terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

SÃO VALENTIM E OS NAMORADOS

Hoje um amigo acordou lembrando que dia 14 de fevereiro celebra-se o dia de São Valentim. Há exatos três anos eu estava voltando de Portugal. Lembro porque era dia de São Valentim e que no dia anterior a minha partida todos estavam se mobilizando para celebrar a data. É claro que fiquei curiosa porque as pessoas me contaram que no dia de São Valentim comemorava-se o dia dos namorados lá em Portugal. Contei que aqui no Brasil comemoramos em junho, no dia de Santo Antônio. Mas eles me contaram uma história que me emocionou. Disseram-me que São Valentim foi um bispo que lutou contra as ordens do imperador Claudio II, que havia proibido a celebração de casamentos durante as guerras, pois acreditava que os homens solteiros eram melhores combatentes que os casados. Valentim, contrariando as ordens do imperador, continuou a celebrar casamentos, mas foi descoberto, preso e condenado à morte. Na prisão, Valentim recebia muitas flores e bilhetes de jovens apaixonados. Enquanto esperava o cumprimento da sua sentença, Valentim se apaixonou pela filha cega de um carcereiro da prisão e casou-se com ela. A moça, por milagre, recuperou a visão. Antes de sua execução, escreveu uma mensagem de adeus à amada, na qual assinava como “Seu Namorado” ou “de seu Valentim”. Por esta razão é que no dia em que celebra-se a morte de São Valentim, ainda hoje os namorados trocam cartões, flores e bombons.
Adorei a história, penso que esta sim era uma data bacana de ser celebrada por aqui. Mas sem apelos comerciais, só com cartões, flores e beijos, muitos beijos!!

domingo, 12 de fevereiro de 2012

POEMINHA EM LÍNGUA DE BRINCAR

Se há um poeta impossível de não se apaixonar é o Manoel de Barros.  Descobri que amava poesia de verdade através das palavras brincantes dele. Às vezes quero desacelerar a vida e penso em ler Manoel de Barros. Acontece que não dá pra ler Manoel de Barros para desacelerar, é preciso desacelerar para lê-lo. Delícia!! Algumas das melhores brincadeiras das férias, inclusive com o João e o Arthur, foram lendo as brincadeiras do Manoel. Hoje reli essa delícia e decidi compartilhá-la ...

"Ele tinha no rosto um sonho de ave extraviada.
Falava em língua de ave e de criança.

Sentia mais prazer de brincar com as palavras do que de pensar com elas.
Dispensava pensar.

Quando ia em progresso para árvore queria florear.

Gostava mais de fazer floreios com as palavras do que de fazer ideias com elas.

Aprendera no Circo, há idos, que a palavra tem que chegar ao grau de brinquedo para ser séria de rir.

Contou para a turma da roda que certa rã saltara sobre uma frase dele
E que a frase nem arriou.

Decerto não arriou porque tinha nenhuma palavra podre nela.

Nisso que o menino contava a estória da rã na frase
Entrou uma Dona de nome Lógica da Razão.
A Dona usava bengala e salto alto.

De ouvir o conto da rã na frase a Dona falou:
Isso é Língua de brincar e é idiotice de criança
Pois frases são letras sonhadas, não têm peso, nem consistência de corda para aguentar uma rã em cima dela

Isso é língua de raiz – continuou
É língua de Faz-de-conta
É língua de brincar!

Mas o garoto que tinha no rosto um sonho de ave extraviada
Também tinha por sestro jogar pedrinhas no bom senso.

E jogava pedrinhas:
Disse que ainda hoje vira a nossa Tarde sentada sobre uma lata ao modo que um bentevi sentado na telha.

Logo entrou a Dona Lógica da Razão e bosteou:
Mas lata não aguenta uma Tarde em cima dela, e ademais a lata não tem espaço para caber uma Tarde nela!
Isso é língua de brincar
É coisa-nada.

O menino sentenciou:
Se o Nada desaparecer a poesia acaba.

E se internou na própria casca ao jeito que o jabuti se interna.  

domingo, 5 de fevereiro de 2012

OFICINA DE CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS PARA OS PROFESSORAS DA EMEI CRIANÇA FELIZ (SINIMBU, RS)

Comecei o mês de fevereiro "oficinando" com uma turma muito bacana!! Comecei o mês de fevereiro ministrando uma oficina de Contação de Histórias para os professores da EMEI Criança Feliz, em Sinimbu (RS). Embora muita gente diga que não gosta da palavra "oficina", porque ela remete a um lugar onde se consertam coisas ... Particularmente, eu adoro a palavra oficina, porque para mim oficina "é o lugar onde se exerce um ofício". Por isso mesmo, para que uma oficina aconteça é preciso que o número de participantes não seja muito grande, pois a atenção acaba sendo desviada para outros focos e a qualidade do trabalho sendo, consequentemente, diminuída. A possibilidade de um número menor de pessoas envolvidas num mesmo trabalho é fantástica, implica aproximação, troca, emoção e consequentemente um aprendizado muito mais ogânico. Oficina de contação de histórias é um espaço encantado, propício para se "brincriar" (palavra inventada pelo poeta Dilan Camargo). E tem melhor forma de aprender do que "brincriando"?! 









 









quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

TODA HISTÓRIA PESSOAL TEM UM COMEÇO E MUITAS INSPIRAÇÕES ...


Era uma vez uma menina que nasceu e cresceu numa "cidade-quase-ilha", pois para chegar até à capital, a menina precisava atravessar de balsa um dos rios que cercavam a cidade. E a menina adorava inventar brincadeiras e histórias com seus amigos reais e imaginários na sua "cidade-quase-ilha". A garotinha foi crescendo e em seus pensamentos começou a sonhar com um mundo quase distante (sim, porque a capital não era tão longe, mas havia um rio sem uma ponte, lembra?). Na sua casa, lá na quase ilha, ela ficava sabendo de muitas coisas que aconteciam naquele mundo quase distante através de uma televisão pequenininha e amarela. 
Através daquela televisãozinha ela descobriu pessoas encantadas que habitavam aquele outro mundo. Quando adolescente a menina adorava assistir a um programa com muito bate papo cultural, chamado “Pra começo de conversa”. Hoje existem muitos programas de opinião, mas naquela época – lá pelos anos 80 – isso não era assim tão comum. Pelas almofadas e banquinhos daquele programa passava muita gente bacana que inspiravam a menina - e que até hoje a inspiram. 

Mesmo distante de cinemas e teatros, a menina assistia pela tela da televisãozinha aos programas da TVE RS e encantava-se com aquela gente bacana mostrando o seu trabalho. Naqueles momentos a menina sabia que um dia sairia da sua quase ilha para percorrer outros caminhos. 
Quando cresceu, a menina atravessou o rio e descobriu muitos mundos. Mundos que ela ainda não parou de explorar e de inventar personagens para viver e aprender. Mas cada um desses personagens é pleno de gratidão pelas pessoas que tanto a inspiraram naqueles tempos de infância. Somos seres carregados de marcas que vão sendo inscritas nos nossos corpos desde quando somos gerados. 
Se a garotinha aprendeu a amar as artes e desejar profundamente fazer parte daquele universo. E se ela tornou-se uma pessoa tão cheia de inspirações e inquietações profissionais, uma profissional que não se basta “apenas” professora, "apenas" fisioterapeuta, “apenas” contadora de histórias, “apenas” educadora, “apenas” pesquisadora - e sabe-se Deus quantos apenas ainda estão por vir -, muito é em razão destes seres encantados que a fizeram (e ainda a fazem) acreditar que um outro mundo é possível para além das margens daqueles dois rios e para além dos seus sonhos. 
Do fundo do seu coração habitado de boas lembranças, a menina é hoje imensamente grata aos seus inspiradores, entre eles: Eduardo Bueno, Shala Felippi, Marcia do Canto, Julio Conte, Marcos Breda, Lucia Serpa (e todo o elenco da peça "Bailei na Curva". São personagens fundamentais dessa história também: Nelson Coelho   de Castro (poeta cantante querido, inspirador, amado amigo), Bebeto Alves, Totonho Villeroy e Nei Lisboa. Vocês foram e são marcos históricos, bases fundamentais dessa história que a menina segue construindo e que agora vai apresentando aos seus filhotes, aos seus amigos, aos seus alunos. Não há obrigados suficientes para expressar o tamanho da minha gratidão. Grata! Grata! Grata!!