sábado, 11 de agosto de 2018

SOBRE COMA, NARGUILÉS E VULCÕES (DIAS DE TEMPESTADE)



No eletroencefalograma mais recente dessas 9 semanas de internação hospitalar do Arthur, meu filho mais novo, as ondinhas encefálicas estavam mais calmas e os médicos ficaram confusos. Diziam que a calmaria era sugestiva de um estado de coma. Como pessoas grandes que são, os médicos falavam que a tal calmaria podia ser em função da grande quantidade de medicamentos das semanas anteriores ou pelas muitas convulsões que o levaram a precisar de tantos medicamentos. Mas o Arthur tem muito mais respostas do que a ciência pode nos oferecer.  Embora as pessoas grandes não soubessem se aquela condição de soninho fosse em função das muitas erupções de algum dos vulcõezinhos do Asteroide B612, ou por causa do narguilé que o Arthur andou fumando lá pelo País das Maravilhas, ele, que é um grande leitor ouvinte de histórias e amigo de um príncipe que viaja por muitos planetas, sabe que as crianças têm que ter muita paciência com as pessoas grandes. O fato é que as pessoas grandes não sabiam o caminho de volta dessa longa viagem, nem mesmo por qual universo andava os pensamentos do pequeno. Eu, como mãe contadora de histórias, desconfio que andava por Nárnia, que é terra grande e cheia de portais para ir e vir. O fato é que nessa semana alguém deixou uma frestinha aberta em um dos portais de Nárnia para esse mundo aqui e Tutuks chegou de volta, querendo mais histórias, novas histórias, para compor significados à sua vida. Chegou de volta nessa semana tão especial, que celebramos o Dia dos Pais. Se é uma alegria para um pai, uma mãe, ver um filho nascer, imagina ter a chance de ver ele renascer mais de uma vez?! A vida segue com suas batalhas cotidianas. Que nós sigamos com ela, tendo paciência, sabedoria e amor para estarmos juntos a cada novo desafio.  


*Essa que sou, mãe, professora, fisioterapeuta, contadora de histórias, escritora, dançante (não exatamente nessa ordem), estou com meu filho mais novo, Arthur, hospitalizado. Esse é o relato desses dias de tempestade, que escolho fazer da forma mais amorosa e serena que puder.

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

UM TOQUE AO PÉ DO OUVIDO (CRÔNICA)

Dizem que o mês tem quatro semanas. Não é verdade, só fevereiro é um mês quase sempre verdadeiro, fiel às semanas. Já faz alguns dias que completamos 8 semanas que o Arthur, meu filho mais novo, encontra-se hospitalizado, mas só hoje fechamos sessenta dias. Dois meses de rotina fora da rotina. Há momentos que o colo é impossível, que o toque na pele é limitado pela fragilidade da situação, mas sigo a ler para ele e ao ler me sinto potente, em conexão afetiva, em estado de presença. Na UTI do Hospital Santa Cruz, onde estamos a maior parte desse tempo todo, agora há um pequeno espaço com livros, para que outros pais também possam ler para seus bebês e se sentirem mais potentes e isso me deixa muito feliz!!
 

sábado, 4 de agosto de 2018

A VIDA É TÃO RARA (DIAS DE TEMPESTADE)


Enquanto o tempo acelera e pede pressa
Eu me recuso, faço hora, vou na valsa
A vida é tão rara 
(Lenine) 
Agosto chegou e seguimos (a família toda) pacientemente, esperando a melhora de nosso pequeno Arthur. Oito semanas atrás internamos por causa de uma complicação do quadro convulsivo. De lá pra cá a vida segue traçando novos rumos a cada dia. Complicações respiratórias e lesão cutânea, tudo que se pode esperar de uma internação hospitalar muito longa. Mas a gente segue nadando nesse mar bravio pra não se afogar. A palavra paciente deve significar a habilidade de ter paciência, fé na vida, confiança nos profissionais que cuidam e persistência.  Sigamos, pacientes!!


*Essa que sou, mãe, professora, fisioterapeuta, contadora de histórias, escritora, dançante (não exatamente nessa ordem), estou com meu filho mais novo, Arthur, hospitalizado. Esse é o relato desses dias de tempestade, que escolho fazer da forma mais amorosa e serena que puder. 

* Essa semana, depois de quase dois meses, conseguimos estar juntos, o Claudio, o João, Tutuks e eu, ainda que por breves instantes, mas juntos (30/07/2018)