terça-feira, 3 de janeiro de 2017

OS DOMINGOS PRECISAM DE FERIADOS (TEXTO DE NILTON BONDER)

OS DOMINGOS PRECISAM DE FERIADOS
Texto de Nilton Bonder
Toda sexta-feira à noite começa o shabat para a tradição judaica. Shabat é o conceito que propõe descanso ao final do ciclo semanal de produção, inspirado no descanso divino, no sétimo dia da Criação. Muito além de uma proposta trabalhista, entendemos a pausa como fundamental para a saúde de tudo o que é vivo. A noite é pausa, o inverno é pausa, mesmo a morte é pausa. Onde não há pausa, a vida lentamente se extingue.
Para um mundo no qual funcionar 24 horas por dia parece não ser suficiente, onde o meio ambiente e a terra imploram por uma folga, onde nós mesmos não suportamos mais a falta de tempo, descansar se torna uma necessidade do planeta. Hoje, o tempo de ‘pausa’ é preenchido por diversão e alienação. Lazer não é feito de descanso, mas de ocupações ‘para não nos ocuparmos’. A própria palavra entretenimento indica o desejo de não parar. E a incapacidade de parar é uma forma de depressão. O mundo está deprimido e a indústria do entretenimento cresce nessas condições. Nossas cidades se parecem cada vez mais com a Disneylândia. Longas filas para aproveitar experiências pouco interativas. Fim de dia com gosto de vazio. Um divertido que não é nem bom nem ruim. Dia pronto para ser esquecido, não fossem as fotos e a memória de uma expectativa frustrada que ninguém revela para não dar o gostinho ao próximo.
Entramos no milênio num mundo que é um grande shopping. A Internet e a televisão não dormem. Não há mais insônia solitária; solitário é quem dorme. As bolsas do Ocidente e do Oriente se revezam fazendo do ganhar e perder, das informações e dos rumores, atividade incessante. A CNN inventou um tempo linear que só pode parar no fim. Mas as paradas estão por toda a caminhada e por todo o processo. Sem acostamento, a vida parece fluir mais rápida e eficiente, mas ao custo fóbico de uma paisagem que passa. O futuro é tão rápido que se confunde com o presente. As montanhas estão com olheiras, os rios precisam de um bom banho, as cidades de uma cochilada, o mar de umas férias, o domingo de um feriado.
Nossos namorados querem ‘ficar’, trocando o ‘ser’ pelo ‘estar’. Saímos da escravidão do século XIX para o leasing do século XXI – um dia seremos nossos? Quem tem tempo não é sério, quem não tem tempo é importante. Nunca fizemos tanto e realizamos tão pouco. Nunca tantos fizeram tanto por tão poucos.
Parar não é interromper. Muitas vezes continuar é que é uma interrupção. O dia de não trabalhar não é o dia de se distrair – literalmente, ficar desatento. É um dia de atenção, de ser atencioso consigo e com sua vida. A pergunta que as pessoas se fazem no descanso é ‘o que vamos fazer hoje?’ – já marcada pela ansiedade. E sonhamos com uma longevidade de 120 anos, quando não sabemos o que fazer numa tarde de domingo.
Quem ganha tempo, por definição, perde. Quem mata tempo, fere-se mortalmente. É este o grande ‘radical livre’ que envelhece nossa alegria – o sonho de fazer do tempo uma mercadoria. Em tempos de novo milênio, vamos resgatar coisas que são milenares. A pausa é que traz a surpresa e não o que vem depois. A pausa é que dá sentido à caminhada. A prática espiritual deste milênio será viver as pausas. Não haverá maior sábio do que aquele que souber quando algo terminou e quando algo vai começar. Afinal, por que o Criador descansou? Talvez porque, mais difícil do que iniciar um processo do nada, seja dá-lo como concluído.

Nilton Bonder é rabino e escritor e outros textos seus podem ser encontrados no site http://www.niltonbonder.com.br

sábado, 31 de dezembro de 2016

QUANDO VOCÊ NÃO PERDOA O PRISIONEIRO É VOCÊ

Esse foi um ano que vi e ouvi muita gente ruminando mágoas do passado. É incrível ver como é difícil para muitas pessoas superar e seguir em frente, sem arrastar consigo um rancor que só fará mal para elas mesmas. Dica para o ano novo, gurizada: Desapega do que te faz mal!! Olho no retrovisor é prudência, mas é pra frente que se anda!!

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

O ANO DO DESGOVERNO CHEGA AO FIM

O ano vai acabando e fica um sentimento muito difícil de definir dentro do peito. Sou grata a 2016, sobretudo pela saúde da minha família, que apesar das  lesões ósseas e ligamentares, das crises convulsivas, infecções controláveis e do Alzheimer, tudo ficou dentro do limite do aceitável. Todos encerramos o ano bem, com saúde e emprego. Conheci novos amigos e cuidei (na medida do que pude) dos que tinha. Contei muitas histórias, publiquei um conto inédito, viajei, trabalhei muito em tudo que amo fazer - e isso, sem dúvida, é uma bênção. Mas quando levanto um pouquinho os olhos e vejo o vivido neste ano, me dou conta do tanto pior que nos tornamos, nós humanos (humanos?). E tudo por vontade própria, por intensão. Não por vontade de tornar-se melhor, mas de ver o outro pior; não por vontade de ter mais, mas de ver o outro ter menos. Não por desejo de justiça, mas por desejo de ver o desmonte da justiça. Ano em que a corrupção tomou conta escancarada em todas as instâncias e dimensões. Queríamos que a corrupção aparecesse, que não fosse mais jogada para baixo do tapete, mas ao contrário disso, a corrupção vai sendo legalizada sob o aplauso dos que se acham superiores, se pensam acima do bem e do mau. A quem recorrer, aos homens e mulheres da justiça?! Não, pois eles também entraram no esquema!! A democracia está em farrapos, a economia vai sendo destroçada pelos nossos (des)governantes e os únicos que sofrem as consequências são os que menos tem, os trabalhadores assalariados, os funcionários públicos. Porque os poderosos, esses continuarão a se aposentar precocemente com suas regalias, esses continuarão a receber seus auxílios moradia, escola, alimentação, viagem e terno, além de seus altíssimos e vergonhosos salários. O cenário não é melhor para quase todo o lado que se olhe, notícias regionais, nacionais e mundiais sinalizam o caos, o desrespeito pelo humano, a falta de solidariedade, a violência generalizada, manifestada das palavras aos gestos. Estamos piores e nossos (des)governantes levantam suas bandeiras atacando a educação e a cultura, desmantelando o estado que sustenta ainda uma mínima (mas muito mínima) assistência à saúde, educação e segurança. E o fazem com o aval da população que, cega, não se percebe atingida e quando perceber, será tarde demais (já é tarde demais). Não sei o que pensar, não sei o que fazer, não identifico esse sentimento que trago preso no peito e na garganta, mas desejo ardentemente não perder a fé e a esperança - e também a força para lutar por elas. Que venha 2017!!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

CONSELHO TUTELAR E UNIDADE BÁSICA - PERSONAGENS QUE PODEM ENCANTAR, SE VOCÊ DEIXAR

Férias da babá eu fico mais quietinha, em casa, cuidando das crianças, lendo histórias, jogando baralho, moinho, fazendo comidinhas especiais e, aos poucos, vou vendo aquelas séries que fui gravando ao longo do ano e não tive tempo para ver. Entre as séries que gravei estão duas que tenho gostado muito, "Unidade Básica" e "Conselho Tutelar". Quando falei isso no Facebook o primeiro comentário postado foi falando que "Unidade Básica" é uma série médico centrada, como se não o fossem Dr. House, Chicago Med, E.R, entre outras. Mas Unidade Básica, diferente das séries norte americanas, não é hospitalocêntrica, oferece uma perspectiva nova. Conheço a realidade desses profissionais e sei que na vida real a coisa não é bem assim. Que bom que houvesse mais profissionais como são os fictícios Dr. Paulo e o conselheiro Sereno. Mas bem, se os norte americanos podem idealizar sua realidade com a policial Olivia Benson, o comandante Walllace Boden, o Dr. House, o CSI Gil Grisson, o perfilador Dr. Spencer Reid, entre outros, porque é mesmo que nós não podemos ter o Dr. Paulo e o conselheiro Sereno? É claro que não podemos perder de vista que não são séries documentais, são personagens ficcionais, mas que inspiram o desejo de uma realidade mais digna para nós e para eles (os personagens da vida real).

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

MAIS UMA LINDA NOITE NO MOSTEIRO

Já perdi as contas, mas faz ao menos cinco anos que eu celebro o Dia dos Santos Inocentes com as minhas queridas amigas Monjas do Mosteiro da Santíssima Trindade (Irmã Isabel, Madre Paula, Irmã Marta, Irmã Andreia, Madre Roberta, Irmã Michele e Irmã Maria de Lourdes). De verdade, essa é uma das noites mais divertidas do meu ano, compromisso certo na minha agenda. Oramos, jantamos, conversamos, damos risadas, trocamos receitas, histórias, presentes e presença. Esse ano eu levei para partilhar algumas lendas natalinas, contos do Eduardo Galeano, contos recontados pela Rosane Pamplona e a poesia do Manoel de Barros. É com essas queridas que eu acalmo o coração, agradeço o ano, peço energia para o próximo e resgato o que tem de melhor na minha fé. Ano após ano agradeço tê-las conhecido e ser acolhida, sempre, por essas fadas boas!!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

HISTÓRIAS DE NATAL EM VALE VERDE (2016)

Tão lindo ver o gesto solidário, o brilho no olhar, o sorriso no rosto!! Este ano fui convidada pelo Sicredi Vale do Rio Pardo para fazer uma narração de Contos Natalinos em Vale Verde, durante um evento, fruto de uma linda parceria entre a Brigada Militar de Vale Verde, o Sicredi Vale do Rio Pardo e outros tantos voluntários generosos. No início fiquei meio em dúvida se daria certo, se as pessoas parariam para ouvir histórias, tendo brinquedos infláveis, presentes e Papai Noel (sem falar do calor). Logo eu, uma contadora de histórias, duvidei do poder mágico das histórias, que une gerações, que prende pelo afeto, que interliga olhares. Foi maravilhoso ver a participação das crianças e os olhares atentos das crianças de todas as idades!!


domingo, 18 de dezembro de 2016

SESSÃO DE CONTOS NATALINOS NO BAZAR DE NATAL DA CASA PLURAL (2017)

Hoje não é noite de Missa do Galo, mas é noite de descobrir porque a Missa de Natal tem esse nome. Esse segredo eu vou contar lá no lindo BAZAR DE NATAL DA CASA PLURAL, às 19:00. Vou contar também a lenda de como surgiu o Panetone e sua versão mais moderna, o "chocotone"!! A diversão é garantida e o encantamento também!! Quem quiser, é só chegar!!